O que fazer quando a sessão de terapia não evolui?
Você termina a sessão com a sensação de que conversaram bastante, mas não chegaram a lugar nenhum.
Na semana seguinte, os mesmos assuntos aparecem. Você tenta fazer perguntas diferentes, retoma o que já foi discutido e começa a pensar que talvez precise trazer uma técnica nova para fazer o atendimento andar.
Essa experiência pode ser especialmente desconfortável no início da carreira. Uma dúvida sobre o processo terapêutico rapidamente vira uma dúvida sobre a própria competência:
“Será que eu não estou sabendo conduzir?”
Antes de chegar a essa conclusão, vale fazer uma pergunta mais específica:
O que exatamente significa dizer que esse caso não está evoluindo?
A resposta ajuda a localizar a dificuldade e a escolher um próximo passo com mais fundamento.
“Minha sessão não evolui” parece uma descrição clara. Clinicamente, porém, ainda diz pouco.
Talvez vocês conversem sobre os mesmos problemas, mas os objetivos terapêuticos estejam vagos. Talvez exista um objetivo definido, mas faltem indicadores para perceber mudanças. Pode haver dificuldade para transformar a formulação em planejamento, obstáculos à realização de atividades ou necessidade de rever a estratégia.
Essas situações produzem uma sensação parecida: “Nada está acontecendo.”
Mas exigem respostas diferentes.
Por isso, transforme a sensação de estagnação em uma pergunta clínica antes de procurar outra intervenção.
O que estamos tentando modificar?
Se a resposta estiver vaga, avaliar progresso também será difícil.
Imagine uma paciente fictícia que iniciou a terapia dizendo que queria se sentir menos ansiosa. Depois de algumas sessões, vocês conversaram sobre trabalho, relacionamentos, autocobrança, sono e conflitos familiares.
Todos esses assuntos podem ser relevantes. Mas qual mudança está sendo buscada? Em quais situações a ansiedade interfere? Que comportamentos vocês esperam modificar? Como saberiam que houve progresso?
Construir objetivos suficientemente claros ajuda a dar direção ao processo, mantendo espaço para revisão e colaboração.
Quando o atendimento parece andar em círculos, pergunte:
“Ainda está claro para mim e para o paciente o que estamos tentando alcançar?”
O paciente voltou a falar sobre o mesmo problema. Isso significa que a terapia não está funcionando?
Não necessariamente.
Alguns temas reaparecem porque continuam relevantes. Outros precisam ser compreendidos em diferentes contextos. Mudanças importantes também podem acontecer enquanto a queixa permanece presente.
A pergunta útil é:
“O que estamos aprendendo de novo ao falar disso?”
Talvez um conflito no trabalho esteja revelando um padrão de evitação. Talvez o paciente esteja começando a observar comportamentos que antes passavam despercebidos.
Entretanto, quando várias sessões produzem essencialmente as mesmas descrições e você não identifica o que está sendo investigado, experimentado ou modificado, vale revisar a condução.
Às vezes, a dificuldade está na hipótese que orienta a intervenção.
Suponha que você compreendeu inicialmente que determinada paciente evita situações sociais principalmente por medo de avaliação negativa. Com o tempo, novas informações sugerem que outros fatores também precisam ser considerados.
A formulação precisa acompanhar essas informações.
Pergunte:
Formulações são hipóteses de trabalho. Revisá-las faz parte do processo.
Você pergunta sobre pensamentos, propõe um registro ou faz psicoeducação. Mas consegue explicar a função dessas escolhas naquele caso?
“O que estou tentando modificar ou compreender com isso?”
Essa pergunta ajuda a perceber quando uma intervenção se desconectou da formulação e dos objetivos.
Antes de buscar uma técnica nova, examine as que já utiliza. Como elas se relacionam ao problema? O que você esperava observar? O que aconteceu depois?
Conhecer uma ferramenta é importante. Saber justificar sua utilização também é.
Informações relevantes aparecem na maneira como o paciente responde às situações da semana.
Ele começou a identificar um padrão? Experimentou um comportamento diferente? Conseguiu permanecer em uma situação que antes evitava? Encontrou dificuldades para realizar algo combinado?
Essas respostas ajudam a atualizar a compreensão do caso.
Se uma atividade não foi realizada, investigue o que aconteceu: compreensão do combinado, viabilidade, sentido para o paciente, obstáculos práticos ou emocionais.
A dificuldade também pode produzir informação clínica.
Existe uma pressão silenciosa em alguns atendimentos:
“Eu preciso fazer alguma coisa.”
Quando a conversa desacelera, o desconforto da profissional pode levar a uma sequência de perguntas, exercícios e explicações.
Antes de introduzir algo novo, pergunte:
“Qual necessidade clínica sustenta essa escolha?”
Essa reflexão ajuda a distinguir uma intervenção fundamentada de uma reação à própria insegurança.
Uma sessão cheia pode continuar sem direção. Uma investigação bem conduzida pode esclarecer justamente o que faltava para decidir.
A avaliação do tratamento também pode ser feita em colaboração.
Como o paciente percebe o trabalho? O que considera que mudou? O que continua difícil? Os objetivos ainda fazem sentido? Há alguma parte do processo que parece pouco útil?
Talvez você perceba pouca evolução enquanto ele identifica mudanças significativas. Ou talvez ele esteja sentindo falta de direção e ainda não tenha dito.
Sua experiência é uma fonte relevante de informação para revisar o planejamento.
Após examinar objetivos, hipóteses, intervenções e resultados, você pode concluir que precisa:
A escolha deve acompanhar o que a análise mostrou.
Organize o caso respondendo:
As perguntas sem resposta ajudam a localizar onde sua análise precisa avançar.
Existem casos em que você revisa as anotações, consulta referências e ainda encontra dificuldade para organizar hipóteses ou prioridades.
A supervisão pode ser um espaço para examinar sua compreensão, considerar outras possibilidades e fundamentar os próximos passos.
Na Supervisão Clínica em TCC da Sinceramente Psi, os casos reais da profissional são o ponto de partida para desenvolver análise, formulação e tomada de decisão.
Se você tem um caso que parece não avançar e precisa organizar melhor o raciocínio, me chama no Direct para conhecer a supervisão.
Antes da técnica, o raciocínio.
É normal ter dúvidas sobre como continuar uma sessão?
Dúvidas aparecem em uma prática complexa. O importante é reconhecê-las e buscar os recursos necessários: investigação, estudo, revisão do caso, supervisão e reconhecimento dos próprios limites.
Preciso levar uma técnica nova quando o atendimento está repetitivo?
Uma nova intervenção precisa de justificativa clínica. Primeiro, revise o que vocês estão tentando alcançar e o que as intervenções anteriores mostraram.
Como saber se a terapia está evoluindo?
Os critérios dependem dos objetivos e do contexto. Acompanhe mudanças relevantes no funcionamento, nos comportamentos, nas dificuldades e na experiência do paciente.
Supervisão pode ajudar quando não sei como continuar um caso?
Pode ajudar a organizar informações, identificar lacunas e discutir alternativas, mantendo a responsabilidade da profissional sobre o atendimento.